The Lemon of Pink

28.6.09

listas!! (gosto muito)

- Top 5 cenas legais na praia:
1. Helen Wright, em Humoresque. Lembrar do close no rosto de Joan Crawford.
2. Burt Lancaster e Deborah Kerr em From Here to Eternity (Aliás, quem ia fazer a personagem da Kerr era inicialmente também a Crawford, que não aceitou por ter detestado o figurino) *suspiro*
3. Marcello Mastroianni, tranquilão, caminhando na praia em La Dolce Vita.
4. O final de O Retorno.

- Top 5 mulheres feias
1. Jennifer Anniston
2. Sarah Jessica Parker
3. Eliana
4. Judy Garland
5. Meg Ryan

- Top 5 imagens divertidas que tenho no meu computador:
1. Dançarinos de butoh nas ruas de Tokyo

2. Nero

3. Não sei bem o contexto em que salvei, mas o nome é "zatteroni"

4. A "Montreal 1976 Olympics streaker under arrest.jpg"

5. Django Reinhardt (gosto da boina)

- Top 5 esportes que eu digo que eu faço para impressionar desconhecidos:
1. Hipismo
2. Pólo
3. Tênis de mesa (seguido de aparente irritação se a pessoa reage com "Pingue-pongue, você quer dizer?")
4. Golfe
5. Ginástica olímpica (bem sério.)

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A fórmula do sucesso de um bom filme hollywoodiano é transformar grandes vilões - ou grandes personagens em geral - em loucos. Pergunto-me o que teria sido de Psicose, Rebecca ou mesmo de Sunset Boulevard se no final de cada filme os respectivos aparecessem tranquilamente e dissessem "Estive fingindo esse tempo inteiro. E o que fiz foi justo. Se pudesse, faria tudo de novo. Não vejo nada mais natural. Nunca me senti tão são e tão consciente."

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(Dependendo da forma como dito, os personagens pareceriam patetas em cena. Daí a fórmula de um bom diretor e de um bom ator, não transparecer que obviamente enlouqueceram, mas, pelo contrário, deixar uma brecha de que algo neles está saudável. Existe um cinismo muito sincero em Norma Desmond, uma autoconsciência que sai um pouco de cena e ri da sua cara. Tudo isso enquanto oferece entretenimento para as massas. Ou algo assim.)

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O que um gênio faz, dia após dia, é colocar uma máscara sobre o seu rosto. Com o passar dos dias, máscara e rosto se confundem, não se sabe mais o que é um ou outro. O gênio improvisa então uma nova máscara com uns resquícios da máscara passada e a põe sobre seu rosto. O processo se repete por anos. Depois de algum tempo, o gênio olha-se ao espelho. Em seguida, o quebra. Deixa a barba crescer e se recolhe sozinho em alguma cidade do leste europeu. Os jornais publicarão que "foi um grande homem."

19.6.09

o dia em que pensei em bette davis

Hoje vi uma moça chorando na universidade enquanto discutia com o namorado. Vou desenhar a cena para vocês: um sol a pino, poucos carros barulhentos passando, umas árvores refugiando aqueles que procuravam um pouco de sombra, a tenda de bombons, aquele grupo de garotas mal maquiadas e de sandália de plataforma de madeira, etc. E o casal discutindo, ele desconcertado, ela aos prantos.

Não sei bem porque pensei o que pensei ali, mas algo me disse que não existe nada no mundo mais mal educado que a fraqueza. E adoro falar mal de fracos. O fraco se assemelha ao cruel na medida em que são ambos insaciáveis. Mas mesmo o fraco vem ao cruel e consome todas suas forças. E nunca se contenta, e seu próprio status público de indefeso impede que seja chamado de cínico ou de mau caráter. (Muito embora o seja nem que um pouquinho - a bondade nos seus corações não é suficiente). They are everyone's concern and like vampires they suck our life's blood.

(À parte de tudo isso: o mundo está cheio de Blanches; porém, sem Blanche não há Baby Jane. O prazer de torturá-las vem com o seu pedido para serem torturadas. Entrelinhas do script.)

Se eu fosse bondoso como almejo, deveria ter chegado ao rapaz e dito que o choro de sua namorada não me convenceu, e se não convenceu a mim, tampouco deveria a ele. Mas ele não me daria ouvidos, vai saber.

27.5.09

cumpleaños

Mal reparei: The Lemon of Pink, este blog carinhoso, fez hoje ou ontem 1 ano de existência. Deixo um poema de Gregório de Matos, baianinho bom de prato e de rima, se não o melhor poeta brasileiro antes de Bruno Tolentino, certamente o que tinha a melhor alcunha. E não vou agradecer a ninguém, porque fiz tudo sozinho.


Desenganos da vida humana, metaforicamente

É a vaidade, Fábio, nessa vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa,
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

o cachorro late, o gato mia, a zebra zurra

Todas as áreas do conhecimento tem um elo em comum, e esse elo é Deus. Ou melhor, é uma zebra.

(Com vocês, Deus:

-Zurrrr.)

Dessas áreas, as Artes são a mais metalingüística, a Filosofia é a mais descritiva e a História é a mais ilustrativa. A Química é aquela por qual reconheço minhas limitações. E a Botânica é aquela que ressinto nunca ter estudado quando tive a chance. Mas então.

Por todas terem um elo e esse elo ser em comum, é natural que alguém que lide com qualquer uma dessas áreas tenha sentido cócegas dessa zebrinha charmosa, nem que ao menos uma vez na vida. A zebrinha vem, charmosa, faz um carinho com o focinho e sai. E então a pessoa acorda e tem a falsa impressão de que "está na área realmente fundamental para o universo", "é aqui onde está a zebrinha."

No entanto, sabemos que a zebra é amiga e aparece para todas as áreas. O que não quer dizer que apareça para todos.

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Uma vez "aparecida" (para a discreta parte da população com alma), os resultados podem ser catastróficos: vaidade, loucura, isolamento, a lista é longa e conhecida. Sem contar que até hoje ninguém conseguiu sequer tocar a zebrinha, ao menos um tapinha no rabo*. E os que tentaram à força** bem que tiveram reações curiosas. E dessas tentativas ficaram registrados alguns documentos. Um dia vai cair um meteoro pancada na terra e a raça humana vai ser extinta. Ficarão os documentos e a zebrinha, dando uma risadinha cínica disso tudo.


* digo isso após severa pesquisa no google images

** não estou numa situação melhor. Estampa de zebra é a minha favorita. Não em mim, mas, se vejo em alguém, penso "Hmm, perverted!". Quer dizer, não penso em inglês. Simplesmente não ficaria sonoro, tal.

15.5.09

"always", "sometimes" e "nevers"

Li recentemente no The Sartorialist: "As I write this I am realizing that great personal style is made up of a certain percentage of "always" items and methods, mixed with a certain percentage of "sometimes" fashions, and a certain percentage of "nevers"." (conclusão do Sartorialist após ver um rapaz usando rolled shorts, o que seria a princípio reprovável, nas ruas de NY).

(Suspiro. Oh, Deus, quanta perspicácia! Oh, que lição para jovens poetas!)

Bom, sabendo que isso não é apenas uma declaração sobre moda, nem sobre literatura ou qualquer arte, mas basicamente toda a discussão de tradição e inovação resumida em 3 linhas, resolvi pensar no que seriam afinal "always" items and methods, "sometimes" e "nevers". Consequência óbvia. Tão óbvia quanto constrangedora, quando vejo uma professora de literatura usando sutiã com alça de silicone.

Afinal, referências a mitologias antigas, crueldade, perversões, juventude, metalinguagem, hipérboles descaradas ou hipérboles disfarçadas de frases normais, descrições em geral, imagens com cavalos, tristeza sincera, pessimismo dissimulado em humor ou humor gratuito são um always. Assim como seriam sometimes, hmm, mistura de línguas diferentes na mesma sentença, palavras de baixo calão, sujeira no geral (autodestruição, humilhações), termos de áreas inusitadas, como a botânica ou a química. Nevers, não sei, talvez colagens e fragmentações em geral, sintaxes muito confusas, rebeldia gratuita de estilo, temáticas exóticas (ETs, "o mundo nos anos 4000", espiritismo, dinossauros).

(Deixo claro, no entanto, que alça de silicone não é sequer um never, é um nível abaixo do never, um never-never, a não ser que alguém ou o tempo me prove do contrário.)

Quase todos os meus favoritos (oh, desculpem a minha parcialidade de critérios!) misturam bem os always, sometimes e nevers. Até aqueles que ficariam irritados em ser chamados de fashionistas, como Campos de Carvalho. Campos de Carvalho, se tivesse tido a oportunidade de ir na Oprah para falar sobre seu estilo, diria algo como "Sou muito desligado. Pra ir à padaria, ponho a primeira calça e nem penteio o cabelo, acredita?". E, ok, de fato, não conheço um escritor legal que tenha escrito sobre alienígenas ou dinossauros, mas boto fé. Uma hora vai ser cansativo escrever sobre pessoas, vocês vão ver.

5.5.09

good morning, super pig

O problema do obsessivo é que ele só é feliz ou "aturável" para si próprio quando possui algo com que possa, digamos, "distrair-se". Um obsessivo sem objeto é como uma poderosa matéria bruta sem força.

O problema do hipocondríaco é que, se a hipocondria existe, e se declaradamente atinge tanta gente, é porque talvez algo nela realmente faça sentido.

Mesmo assim, um obsessivo preso a um jogo, como um cão a um osso, não está numa situação menos desesperadora do que se não estivesse. Nem o hipocondríaco, se preso a alguma paranóia. Ou paranóicos em geral.

Não é por causa disso (até porque tenho uma cabeça muito tranquila e talz), porém, que eu me recuso a ler qualquer notícia sobre essa gripe - oh, que nome detestável! - suína. É certo que não consigo pensar em nada mais humilhante que morrer por algo que se originou em, ehr, porcos. Em todo caso, não morrerei. Caso aconteça, meus biógrafos do séc. XXII serão atentos em dizer que, na verdade, não se sabe a data exata da minha morte, que fiz uma viagem à Índia e de lá não voltei. Ou que vivi até aos noventa, deteriorando-me até a exaustão e ainda assim produzindo poemas sobre desertos e pandas-vermelhos. Ou que fui assassinado a facadas por um anônimo - o que gerará comentários, naturalmente. Teatro se faz assim: criando as cenas e dividindo em Ato I, Ato II, Último Ato. Ou São Sebastião não sabia que sua morte a flechadas seria alvo de metade dos quadros do Renascimento? Bom, aceito de quase tudo, menos que digam que morri por infelicidade dessa peste fedorenta.

(Por outro lado, se essa peste dizimasse um terço da população, não seria apenas um acerto harmônico, mas também proveitoso para a natureza. Falo como biólogo. Como cidadão de bem que sou, também seria bom. As pessoas que aproveito não lotam uma cabine individual de telefone. Ou lotam e ficam apertadinhas, hihi. Hmmmm.)

Mas me disseram por aí que já houve alguns casos confirmados no Brasil, sim. Lembro de ter lido "75", e eram pessoas espalhadas por todos os estados. Não é assim que chamam, uma pandemia? Se aqui acontecer como no México, em cerca de semanas, não vai restar uma alma penada para ler meu blog. Só eu e o Afrânio, meu amigo imaginário.

Volto aos estudos. Mas visitarei a banca de revistas no final de semana. Atento sempre para o próximo estouro mundial. Quem sabe um acidente de avião dos bons. Lá terei assunto para um futuro post. Se nada acontecer, não sei. Comprem a Vogue.

12.3.09

"mas isso não é uma chuva, é o verdadeiro dilúvio! é a barbárie!"


A beleza feminina estreou de fato com Cleópatra, após sugestões na mitologia grega, como Medusa, Afrodite. Depois desapareceu, por longos séculos. Os trovadores da Idade Média faziam cantigas a mulheres idealizadas porque as terrenas eram feias, gordas, suadas, não gostavam de bater nem de apanhar. Felizmente, a beleza feminina teve sua reestréia no final do séc. XIX, com a publicação de Salomé, por Oscar Wilde, e foi aos poucos sendo reafirmada com sua exibição nos teatros europeus. Alguns críticos e oficiais estavam furiosos e censuraram as primeiras tentativas de encenação do espetáculo, acusando que "The world is not ready for this, Mr.!". O que logo foi contido com risinhos abafados e com a vibração dos homens que, há séculos, não sabiam mais o que significava um bom tapa na cara.

Depois durou até 1946, com a primeira exibição de Gilda nos cinemas, quando atingiu seu ápice. Daí pra frente, só desastre. Não restou opção aos homens senão virarem gays. Em 1990, após seguidas reuniões com filósofos e arqueólogos, a ONU reconheceu a decadência feminina e removeu o termo "homossexualismo" da lista de doenças mentais, proporcionando uma nova opção para os homens. As portas para o novo século estavam se abrindo. A extinção da beleza feminina foi, então, oficializada em 1998, com a primeira exibição de Sex and the City.

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Inteligência e escrita têm alguns objetivos em comum: provocação de suspiros alheios, prazer próprio e sublimação estilística. Quem pensa ou escreve fora disso não está pensando, não está escrevendo.

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Quando estamos no colegial, normalmente temos 2 ou 3 amigos que são uma espécie de conexão com o mundo real, c'est-à-dire escândalos das meninas grávidas, disputas nos jogos esportivos, garotos cheirando lança-perfume no banheiro da escola, etc. Ao sair do mundo escolar, perdemos contato com esses amigos que eram nossas conexões com o mundo real e passamos a comprar nós mesmos coca-cola na cantina. Ok.

Hoje, encontrei um desses rapazes com quem eu conversava entre as aulas de química e física. Por acaso, estava saindo da cantina. Ele me abordou e quase contou alguma novidade sobre alguém dos tempos de colégio. Foi nessa hora que eu percebi o verdadeiro sentido da palavra elegância - além de aprender a ter memória ruim, claro -: é saber contornar e fugir imediatamente antes que esse assunto comece. Mesmo que se dê uma razão infantil ou faça gestos infantis para fugir, ainda é mais elegante que ficar sabendo que o fulaninho que não lhe aceitava nos grupos hoje faz Direito numa faculdade de segunda e vai ser pai ou que fulaninha engordou e hoje é vendedora da c&a. Se eu fosse um personagem da mitologia grega, seria o minotauro, sem saber esse tipo de novidade, removido em meu labirinto e a matar os homens que vêm me visitar. Eu só trocaria o labirinto por alguma mansão chique. Em Praga. Caso não fosse possível, pintaria as paredes do labirinto de vinho e as decoraria com livros da Cosacnaify. Enfim.

11.3.09

horácio

Horácio não era um chatinho. Só queria seu bem. Imagino-o meio carequinha praguejando por Roma, pra cima e pra baixo, reclamando disso e daquilo, como eu também posso fazer - se não faço tão bem é porque meu latim não é bom e porque não moro em Roma. E porque as togas saíram de moda, coisa que não entendo. Mas ele queria seu bem, como eu também quero. Se Horácio tivesse visto uma foto de um garoto de boné nos anos 90, teria escrito em seu blog algo pesado, irônico e normativo. Virgílio seria o primeiro a comentar o post. Mas, em sua cama, sozinho, ele lamentava. Pobre homem. Pobre Horácio.

10.3.09

caricaturas literatas do Ocidente

21 anos, existencialismo, angústia, marxismo. Homem, branco, gay. Estuda francês. Adora debater sobre o "nada". Enche a boca pra falar "desterritorialização". Gosta de Pasolini.

25 anos, mulher. Bronzeada, luzes no cabelo. Autores preferidos: Florbela Espanca, Cecília Meireles. Gosta de MPB. Faz História ou Filosofia. É anti-sexista. Sagitariana. Gosta de cachaça. Defende o sexo livre, faz esforços para transar.

53 anos, homem. Adora falar sobre política: diz-se "de direita". Usa boina e tem um jeito meio Vinícius de Moraes de ser. Bebe cerveja aos domingos. Adora Fernando Pessoa. Lê o jornal. Usa a internet só para pornografia. Não sabe inglês. Não lava as partes íntimas.

27 anos, mulher, branca, paulista. Tatuagens pelo corpo. Estudante de Jornalismo. Fala coisas como "tô piradaça, cara". Gosta de Hilda Hilst, de Ana Cristina César e de literatura beat. Amarra lenços ao pescoço. Usa drogas.

29 anos, homem e gordo. Diz-se elegante, mas cobre a careca com os poucos cabelos que tem. Gosta de filmes com a Audrey Hepburn. Orgulha-se, de uma forma meio esquisita, de ser tarado e põe fotos de mulheres semi-nuas em cadernos. Gosta de Olavo de Carvalho. Fez o colegial nos Estados Unidos. Hoje, juiz, mora em Brasília.

19 anos, mulher, branca, aparência jovial. Gosta de Lolita e de filmes do Hitchcock. E do Woody Allen. Loira. Lê por distração, sonha em ser atriz. Usa batom vermelho. Entra com nicks insinuantes em salas de bate-papo anônimas. Exibe-se na webcam.

17 anos, homem, cabelos arrepiados e frisados. Nerd. Gosta do romantismo inglês e despreza os professores de literatura do ensino médio. Lê blogs, no anonimato. Mora com a mãe divorciada. Gosta de línguas mortas. Gosta de Poe. E de Mozart.

57 anos, magra, firme. Cabelos lisos e tingidos de ruivo escuro. Roupas igualmente escuras. Usa scarpin. Professora de Literatura francesa. Pálida, viúva. Fumante. Ama Flaubert. Não atende celulares em sala. Não repete a bolsa. Não tem orkut, não lê blogs.

a melhor forma de argumentar (2)

a melhor forma de argumentar

9.3.09

these lips will find strawberry wine

Existe coisa mais caricata que ser um defensor do rock? A pessoa que gosta de rock, em algum ponto dos finais do séc. XX, passou a ser tida como uma caricatura tão definida como, até uns anos antes disso, os tiozões que gostavam de jazz ou os adolescentes entusiastas de Mozart. O que, aliás, não mudou muito - não consigo pensar em tipos mais caricatos no mundo da música (se bem que, o que sobrou? Clubbers? Gente do reggae?).

Porém, o rock tinha dessa coisa jovial e transgessora de estilos que, levada ao extremo, acredito, tenha seduzido os adolescentes dos finais do séc. XX e começos do XXI a rejeitarem o confortável veludo do cânone do rock (David Bowie? Beatles?) e a se enveredarem por bandas obscuras suecas ou mulheres de cabelo suspeitável. (Isso enquanto acompanhavam, inconscientemente, todo o apego mundial pela destruição do cânone, né. Ou melhor, da sua transformação ou inversão: o cânone virou a maior distância que possuía do seu antigo centro com uma desculpa boba de que o cenário estava descentralizado. Mas como gostar de uma coisa sem um ponto de referência?) (Olhar profundo). No entanto, essa tentativa acabou por desagüar numa outra caricatura. E seu lugar-comum domina os palcos da MTV e indies paulistas.

Enfim, eu não queria escrever sobre nada disso. Apenas estava ouvindo uns eps do My Bloody Valentine e me deu vontade de escrever sobre sem parecer que eu queria falar que sou "um resíduo da era shoegazer" ou que sou sujinho ou que tenho piercings. Deixo claro: vou uma vez por mês ao cabeleireiro, corto as unhas, uso uns sabonetes especiais para as mãos. É preciso lutar contra os calos que a musculação quer me dar. E ontem comprei dois pares de sapato. A eles, escreverei um longo post em seguida.

8.3.09

li hoje na revista Boa Forma: cintura fina, braços desenhados e "adeus, ansiedade"

Não se lê um livro da Cosacnaify. É uma ofensa às folhas. Andar com qualquer livro da Cosacnaify pelo meio da rua é como passear tranqüilamente com um vaso chinês da Era Ming pelas calçadas da República Dominicana. Que edições bonitas. E é que nunca sequer reparei exatamente o que eles publicam, excetuando uma coleção de mulheres modernistas da qual eu só conhecia uns 2 ou 3 nomes. O que pouco importa. Tenho vontade de comprá-la para colocar na sala, ao lado de garrafas de whisky e álbuns de fotografia.

*

Todos estão fingindo, mas geminianos sabem que estão.

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Meu problema com Antonio Candido é simples: ele não sabe escrever. Eu aceitar ler Antonio Candido é como eu aceitar ouvir Aviões do Forró e não Maysa. Ou não falam sobre a mesma coisa? No que não há mal nenhum, não há muito sobre o que falar. Se alguém me diz que gosta de Antonio Candido, sei que também pode gostar de Aviões do Forró. Etc.

O problema dessa classe que não se importa com as minúcias de estilo é que eles põem tudo no mesmo caldeirão. Tudo. E ainda fazem as classificações de acordo com o pouco vocabulário que têm. Olham, por exemplo, Kafka, aquele estilo meio troncho, a aura sombria, o cabelo tiririca e pensam: "emo". Devolvem o livro à estante e pegam o novo da Fernanda Young. Não sei, viu, algo me diz que é por causa dessa gente que Kafka ordenou que queimassem seus escritos.

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Sei que estou desatualizado em videogames quando descubro que Final Fantasy já está na sua 13ª edição. Que raios. Nessas horas eu insisto pra lembrar o que eu fiz de tão importante nessas últimas férias que não liguei meu playstation nem escrevi aqui. Nesse jogo novo da Sony, Flower, controla-se uma pétala pelo ar. A idéia, pelo visto, é se aproximar de outras flores, colhendo-as e assim fazer uma espécie de dança de pétalas. E outras coisas do enredo, puzzles, tal. A verdade é que a Sony tem bom gosto para jogos. Um que eu adorava aos 13 ou 14 era Ico (aqui a review do IGN). Mas, voltando ao Flower, isn't it lovely? Quanto estará custando um Playstation 3?

*

E pra fechar esse domingão do faustão:

Twenty-four years remind the tears of my eyes.
(Bury the dead for fear that they walk to the grave in labour.)
In the groin of the natural doorway I crouched like a tailor
Sewing a shroud for a journey
By the light of the meat-eating sun.
Dressed to die, the sensual strut begun,
With my red veins full of money,
In the final direction of the elementary town
I advance as long as forever is.


(Dylan Thomas)

a arte da atuação

Por 90% do tempo, ajo como se houvesse uma câmera me filmando. Imagino os ângulos e enquadramentos. Não é por acaso que adoro ambientes espelhados. Ali posso dizer "Hmm, mais trágico!" ou "Mais sério!".

Nos outros 10%, se me coloco fora desse grande filme, ainda imagino uma câmera escondida fazendo o making of. Temo um torcicolo em breve.

2.3.09

hoje nada digo, apenas encaro